Ressignificar

Elisabete Rodrigues na cama (Foto: Selfie Elisabete Rodrigues)

Às vezes a vida pode pedi para que o nosso olhar mude, para que o nosso olhar foque no essencial: aquilo que vem de dentro.

Cada dia tem um significado único, e recomeços podem ser um ressignificar.

No geral, há pessoas meio labirinto, parece que pra elas não há saída, não há luz no fim do túnel nos ciclos, e nada os tira de lá.
Não ressignifica a vida, e permanece.

Ressignificação é atribuído a um acontecimento no qual há uma mudança de visão perante o mundo, dando um novo significado, e todo significado de cada acontecimento depende do filtro pelo qual o vemos.

Acredito que quase tudo que nos cerca, o que sentimos, e o que influencia nossas atitudes, e decisões, se resume a um só conceito: visão.

O que digo não é uma regra, é minha visão e minhas experiências.

Vou citar um exemplo:
Sou divorciada e tenho um filho, enfim, terminar um relacionamento pode ser uma das piores experiências da vida de algumas pessoas, o chão pode desabar aos seus pés e a pessoa pode se sentir um lixo, e sem rumo por alguns meses ou pode fazer disso um aprendizado para o próximo relacionamento e aproveitar a maior oportunidade para se amar completamente, sem depender de mais ninguém como eu no meu momento.
Isso se chama visão.

A visão que temos a respeito do que nos acontece e dos nossos problemas, sejam eles grandes ou diários, é o que define a capacidade que temos de sermos felizes.

Decepções amorosas, problemas de saúde ou familiares, luto, fracasso profissional, etc, podem parecer os piores problemas, ou podem ser a maior oportunidade para você ressignificar sua vida.
Isso quer dizer dar um novo significado ou um novo sentido para aquilo que nos aconteceu e que logo de cara, vimos como o fim do mundo, ou como algo praticamente sem solução naquele momento.
Dessa forma, esquecemos que os únicos responsáveis pelo rumo que damos à nossa vida e às escolhas que fazemos somos nós mesmos.

Quantas vezes muitos já responsabilizaram outras pessoas pelo que o acontece.
"Eu era um ótimo funcionário e ele me demitiu"; "Eu estudei tanto, mas o professor me deu nota baixa"; "Eu era o(a) melhor namorado(a) do mundo, mas terminou comigo". Sabe, não devemos nos culpar quando erramos ou quando as coisas simplesmente não dão certas, mas devemos assumir a responsabilidade pela nossa própria vida, e, principalmente: estar no controle dela.

Conseguir enxergar que temos o poder de encontrar a solução nos próprios problemas e entender que somente nós mesmos somos responsáveis pela nossa própria felicidade é a arte de ressiginificar.
E digo arte porque não é fácil, mas é possível desenvolver esse poder e ressignificar quem somos todos os dias, e muitos poderiam aprender.
Entender que errar é inevitável, mas deixar o orgulho de lado e procurar tirar algo bom do erro, para acertar depois, é imprescindível.

Somos responsáveis pelo resultado das nossas escolhas, mas somos capazes também de tornar as próximas ações diferentes das escolhas anteriores fazendo com que o erro não se repita em outra situação.

Devemos nos permitir sofrer, chorar e se arrepender, mas que o processo de lamentação seja curto, uma vez que ele é inteiramente desnecessário.

Mais exemplos: A felicidade é subjetiva.
O que me faz feliz não fará você feliz necessariamente, neste caso, eu não gosto de praia (ficar no Sol por horas), mas muitos gostam, e eu sou feliz assim como muitos são felizes na praia.
Enquanto algumas mulheres dariam anos de suas vidas para serem mães, outras dariam anos para não serem.
Tem gente que se sente super bem em casamentos tradicionais. Outras preferem relacionamentos mais soltos, com menos cobranças.
Algumas pessoas adoram rotinas bem certinhas. Outros amam horários mais flexíveis.
O que é lindo para mim, pode ser cafona para você e o que me assusta, de repente não te assusta.

O importante pra mim é cada um se sentir bem consigo mesmo, e se libertar do sentimento de preconceito ou discriminação na sociedade quando não é ou não vive de acordo com o estabelecido, e não há padrão.
Sejamos autentico, e somos únicos.

Ressignificar a vida é preciso.
Quem tece uma realidade rica e significativa, pode viver de uma forma muito mais desprendida.

O mais comum de se pensar em relação a essa palavra é: “Dar um novo significado a algo…”. novo significado a alguma experiência, pois o “re” significa “de novo” ou “novamente”.

Farei um breve exemplo de novo: Morte de um filho adulto para os pais.
Os pais ficam com uma lacuna enorme no coração e uma dor que faltam palavras para descrever. É muito difícil conviver com a ausência de um ser que você mesmo colocou no mundo e cuidou desde quando era apenas um bebê. Imagine os traumas que ficam no coração destes pais.

Para eles, é preciso ressignificar essa experiência traumática.
Aqui vem um detalhe muito importante, ressignificar não é esquecer, é retirar o afeto que a experiência teve sobre a sua vida.

As pessoas que sofrem com experiências dessa natureza sentem muita culpa, e por causa da culpa dizem o tempo todo para si as famosas palavras: “Eu deveria ter feito isso, deveria ter feito aquilo, deveria ter dito aquilo outro…”.
Sim! Deveria, mas não fez, agora ficou a experiência e a lição deixada pela própria vida para não agir da mesma forma, e isso é ressignificar, retirar o afeto, e muitas vezes esse afeto vem em forma de culpa.

Antes de concluir. Sei que muitos se fazem a importante pergunta. “Mas o que eu posso fazer para ressignificar algo que foi tão dolorido para mim?”. Eu sei que não é fácil, mas em minha opinião, a melhor forma de ressignificar experiências doloridas e traumáticas se dá através de duas palavras: aceitação e não resistência.

A aceitação é ter a consciência que muitas coisas simplesmente não podem ser mudadas. Lembra a oração da serenidade?
“Concede-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar; coragem para modificar as que podem e sabedoria para distinguir uma da outra.”

O que não pode ser mudado é passado, a serenidade é a força para viver o momento presente e a coragem é a garra para enfrentar as situações que surgirão.

Para complementar essa ideia da aceitação, compartilho a sábia e profunda visão do místico Osho.
“A mente sem aceitação não aceita nada. Mas, se conseguir aceitar a sua solidão, a sua depressão, a sua confusão, a sua tristeza, você já estará transcendendo. Aceitação é transcendência.” 

Por último, a não resistência, que deriva dos receios, da culpa, e da auto condenação.
Para acabar com a resistência o mais importante é se tornar “muito” humilde.
É saber que está nessa vida para aprender e para procurar ser melhor a cada dia, crescer.
É saber que todos nós erramos e que os erros, quando bem retirados os ensinamentos, podem nos levar pouco a pouco à sabedoria.

Com relação à resistência ainda tem a persistência. Lembra o ditado “Tudo aquilo que você resiste persiste…”? E o que é essa persistência nesse caso? É o afeto das experiências que não foram ressignificadas, compreendem? Se algo está lhe afetando é porque ainda existe sim algum tipo de resistência que precisa ser quebrada.
As palavras: aceitação e não resistência é um dos melhores caminhos para ressignificar tudo.

Chega um dado momento que ressignificar é uma saída, e essa dinâmica da vida quando compreendida, só nos impulsiona.

Ordenando as prioridades, espantando a ansiedade, abraçando a serenidade, como é bom viver!
“Não existe fim para aqueles que acreditam em recomeço!” Como eu!!!!

A vida é feita de ciclos.
Viver é um eterno recomeçar.
Quando você imagina que o fim está se aproximando, tudo começa novamente.

Pessoal! No final de cada dia, a claridade do sol desaparece. Mas, no dia seguinte, ela ressurge talvez com maior intensidade.
Não importa quantas vezes você já recomeçou, sinta-se agradecido pela oportunidade ímpar de fazer da vida um eterno recomeço. Afinal, o que você imagina que seja viver?
Viver é uma dádiva que necessita de inspiração e de boa vontade.
Invista em sua interioridade e não faltará intuição para fazer de cada momento um instante de criatividade e de amor.
Algumas coisas inevitavelmente acabam no nada.
Por mais difícil que possa ser, ir adiante é condição para provar o delicado sabor da superação.
Acreditar em recomeços não é crença esvaziada, e nunca deixe o desânimo ser insistente.

A vida aguarda por encaminhamentos sustentados na persistência.
Vencer a adversidade é tarefa indelegável. De fato, não existe fim onde há a crença de que é possível sempre recomeçar.

Em cada minuto de vida, estamos iniciando e terminando algo. Tanto biológica quanto psicologicamente.
Todo o tempo há mudanças e talvez existam apenas dois extremos em que podemos afirmar que algo começa e termina em um sentido absoluto: quando somos gerados e quando morremos.

“O primeiro passo, não o leva para onde você quer ir, mas tenho certeza que te tira de onde você está”.
Ver-nos diante da alternativa de começar tudo de novo é uma situação recorrente.
A parte mais difícil é dar o primeiro passo.

O medo é o principal inimigo no momento de recomeçar, e é normal, no entanto, nesse ponto, vale lembrar de Joseph Campbell, um grande pensador que nos adverte que os perigos às vezes só existem em nossa imaginação. Que muitas vezes o mais precioso está precisamente do outro lado dos medos.
Esta frase de Campbell resume:
“A caverna em que tememos entrar tem o tesouro que estamos procurando”.
E como diz o Henry Ford, o fracasso é a oportunidade de recomeçar com mais inteligência. Nossos fracassos são, às vezes, mais frutíferos que nossos êxitos.
Os erros são grandes professores, devemos aprender a transformar os erros em uma fonte de sabedoria.

O começo e o final são relativos.
Toda realidade tem seus ciclos.
“O que a lagarta chama de fim, chamamos de borboleta”.
Somos isso, um eterno final e um infinito recomeçar.
De uma maneira ou de outra, nada começa e nada termina.

Nada dura para sempre, os finais e as perdas fazem parte da vida, mais cedo ou mais tarde todos vão dar de cara, frente a frente, com a exigência de recomeçar em muitos momentos, e é nesses momentos que se torna possível ajustar as ações.
Recomeçar sempre inclui a magia, e por que não, a emoção, de uma nova oportunidade.

























































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